Existe uma pergunta que tenho me feito com frequência:
Quem está governando a minha vida?
Parece uma pergunta simples, mas não é.
Porque, por muito tempo, eu achei que governava a minha vida apenas porque fazia minhas escolhas, trabalhava muito, assumia responsabilidades e tinha opinião sobre tudo. Eu me considerava uma mulher forte. E talvez eu realmente fosse.
Mas força e autodomínio não são a mesma coisa.
Demorei a entender isso. Porque você pode ser extremamente competente e ainda assim ser governada pelos seus impulsos.
Pode ser admirada e ainda reagir a tudo. Pode ser inteligente e ainda permitir que o comportamento dos outros determine o seu.
E eu fiz isso por muito tempo.
Talvez você também faça.
Eu reagia.
Reagia quando me sentia injustiçada. Reagia quando me decepcionava. Reagia quando me criticavam. Reagia quando sentia que alguém tinha ultrapassado limites.
E, sinceramente? Eu ainda luto contra isso.
Porque existe uma parte de mim que acredita profundamente na justiça.
Sempre acreditei.
Sempre achei que as pessoas deveriam colher exatamente aquilo que plantam. Se me feriu, precisa saber. Se errou comigo, precisa ouvir. Se foi injusta, merece uma resposta à altura.
Eu chamava isso de justiça.
Mas, muitas vezes, era apenas orgulho ferido querendo se vingar vestido de virtude.
Foi difícil admitir isso, porque a verdade é que nem sempre queremos justiça.
Às vezes queremos compensação emocional.
Queremos que o outro sinta.
Queremos devolver.
Queremos provar um ponto.
Queremos vencer uma discussão.
E tudo isso parece legítimo quando estamos machucadas? Sim. Mas existe uma pergunta que começou a me incomodar: eu quero ter razão ou quero me tornar uma mulher melhor?
Porque as duas coisas nem sempre andam juntas.
E foi aí que comecei a entender algo que ainda estou aprendendo, todos os dias.
Autodomínio não é não sentir.
Autodomínio é não se ajoelhar diante do que se sente.
É sentir raiva e escolher a serenidade. É sentir vontade de responder e escolher o silêncio. É sentir desejo de desistir e continuar. É sentir inveja e escolher a gratidão. É sentir orgulho e escolher a humildade.
É perceber que existe uma guerra acontecendo dentro de nós e decidir, conscientemente, quem vai vencer.
Essa guerra existe em mim, todos os dias.
Existe uma Juliana impulsiva, intensa, que quer respostas rápidas, que quer resolver tudo imediatamente, que quer reagir quando se sente atacada.
E existe outra Juliana: mais madura, mais serena. Que sabe que nem tudo merece resposta.
Que entende que nem toda batalha precisa ser lutada.
Que sabe que a paz vale mais do que a necessidade de ter razão.
Eu gostaria de dizer que essa segunda vence sempre. Mas não vence.
Ainda não.
E talvez nunca vença perfeitamente. Mas ela está ficando mais forte.
Porque eu decidi treiná-la.
E essa é uma das maiores descobertas da minha vida: o caráter pode ser treinado.
Nós treinamos nosso corpo.
Treinamos habilidades.
Treinamos a mente.
Mas esquecemos que também podemos treinar a alma.
Podemos treinar a paciência, a prudência, a humildade, o silêncio, o autodomínio.
No começo parece impossível, pois nossos instintos gritam.
Eles querem prazer imediato. Querem vingança imediata. Querem alívio imediato. Querem fazer o que têm vontade.
Mas maturidade talvez seja exatamente isso: deixar de fazer tudo o que se tem vontade.
Aliás, penso cada vez mais que liberdade não é fazer tudo o que se deseja.
Liberdade é não ser escrava dos próprios desejos.
Porque, se eu preciso responder toda vez que me provocam, eu não sou livre. Se eu preciso comprar para me sentir melhor, eu não sou livre. Se eu preciso ser aprovada para ter paz, eu não sou livre. Se eu preciso vencer todas as discussões, eu não sou livre.
Estou apenas obedecendo a impulsos e, esses, são péssimos governantes.
A mulher memorável que eu desejo me tornar não é aquela que nunca sente.
É aquela que sabe escolher. Que domina as próprias vontades. Que governa a si mesma.
Porque, no fim das contas, essa é a única pessoa sobre a qual temos verdadeiro poder.
Não controlamos o que falam.
Não controlamos as injustiças.
Não controlamos as perdas.
Não controlamos o comportamento dos outros.
Mas podemos escolher quem seremos diante de tudo isso. e, tenha certeza, essa escolha muda uma vida inteira.
Eu sei que não é fácil. Sei porque essa também é a minha luta.
Tem dias em que eu quero reagir, que eu quero provar que estou certa.
Tem dias em que eu quero devolver na mesma moeda.
Tem dias em que o orgulho parece muito mais confortável do que a humildade.
Mas, aos poucos, tenho aprendido que Cristo nunca nos chamou para reagir instintivamente.
Ele nos chamou para amar quando é difícil. (Ual!)
Para perdoar quando dói, para oferecer a outra face quando o ego exige vingança.
E isso não é fraqueza. É um nível de força que ainda me impressiona.
Porque qualquer pessoa reage, mas poucas conseguem agir de acordo com aquilo em que acreditam.
E é isso que eu desejo para mim.
Não quero ser governada pelo meu humor, pelas minhas feridas ou pela aprovação dos outros.
Quero governar a mim mesma.
Quero olhar para a mulher que estou me tornando e saber que ela não nasceu pronta.
Ela foi treinada… escolha após escolha, queda após queda, silêncio após silêncio.
E se eu, tão imperfeita, tenho conseguido melhorar um pouco a cada dia… eu acredito sinceramente que você também consegue.
Porque talvez a vida não esteja pedindo que sejamos mais fortes.
Talvez esteja pedindo que sejamos mais livres.
E a liberdade começa quando decidimos que nossos impulsos não terão a palavra final.
Eu espero que essa carta toque seu coração e te faça fazer novas escolhas. Hoje e daqui pra frente!
Com carinho,
Ju.